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sábado, março 03, 2012

João voltando...tudo novo de novo!!!


BAR RUIM É LINDO, BICHO!
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
– Ô Betão, traz mais uma pra a gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).
– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

sexta-feira, maio 27, 2011


Tanta gente jovem subindo no ônibus. Tanta euforia, tantas experiências novas pra essa gente, parecem que são donos do mundo...

Primeira punheta, primeiro beijo, primeira foda, primeiro fora, primeiro porre, primeiro cigarro, primeira ressaca...
Primeiro livro lido, primeiro cd comprado, primeira roupa lavada.
Daí vem o primeiro grande amor, depois o fim desse grande primeiro amor eterno.
Primeiro choro sentado na calçada, primeira bebedeira pela falta da pessoa amada.
Primeiro nascer do sol com os amigos,
Primeiro emprego, primeira faculdade, primeiro tombo de moto
Primeira ligação para a família dizendo que tá com saudade
Primeira caixa de cerveja comprada com o próprio dinheiro, primeira compra no mercado feita a dois...
Primeiro desejo, primeira falta...

Primeiro casamento, primeira separação, primeiro aluguel, primeiros móveis, primeira casa, primeiro filho...

E as experiências continuam e acho que vai ter sempre alguém sentado no ônibus achando que os outros  pareçem  jovens, inexperiente e almejando serem os donos do mundo...

quinta-feira, maio 26, 2011

Numa madrugada Etílica

Fuçando ontem alguns velhos cadernos, encontrei um pequeno "teatro" (com todas as aspas possíveis) que eu e um amigo fizemos há um tempo atrás em frente de casa, às 3h da manhã. Digitei o texto assim como tá no papel: com os erros, com as idéias quebradas e com toda a idiotice que possa haver na idéia de dois bêbados..hehe!


Narrador: Ela era bonita, alegre, boa dancarina, dava risada alta, lia livros sempre pela metade, ficava bêbada e cantava alto. Há tempos que não se viam, que não se tocavam, que não andavam juntos de mãos dadas. Enfim, o nostálgico rapaz tomou coragem e voltou pra casa daquela jovem menina:
Menino: Época?! Vc tá ai?  Época: Tô sim!  Menino: Tava com saudade... Época: Não parecia...  Menino: Posso entrar?  Época: Pode...- murmurou a garota demonstrando impaciência com os anseios do jovem.
Narrador: O menino buscou todos os detalhes. Alguns quadros não estavam mais na parede, a música ainda era alegre e num volume agradável, a luz do Sol sentia-se a vontade lá dentro. Seu vestido longo, desbotado ainda lhe dava mais graça. Seus cabelos cacheados...Cheiro de café, louça suja, incenso suave de (?)...mas alegria, era incrível que como numa tarde tediosa, ela enchia toda aquela casa duma alegria preguiçosa!
Menino: Voltei! Época: Quer uma cerveja? Menino: Quero! Época: Aumenta o som! Vamos sentar no meio do jardim. Vc ainda sabe dançar daquele jeito engrado???

domingo, abril 10, 2011

e agora João???

Ah, João! Que saudade de você! Por onde anda? Não tens visitado nenhum buteco? Nunca mais te vi perdido, andando sozinho em zigue-zague por rua qualquer...

Teu cigarro apagou?
Tua garrafa secou?
Teu copo quebrou?
Teu amigo te abandonou?
Tua conta encerrou?

Nunca mais dançou Mutantes na calçada de sua casa?
Nunca mais pediu um abraço embrigado para um amigo qualquer?
Nunca mais cantou "velha roupa colorida" em cima da casa com seus amigos?


Ah, João! Por onde andas, João??
Que saudade de você...

sexta-feira, março 18, 2011

Primeira chamada...

Eram 4h da manhã! Cheguei em casa com 6 latinhas de cerveja numa sacola. Sentei na cama e imaginei que beberia sozinho até amanhecer. Peguei o telefone...Do outro lado atenderam. Aceitaram meu convite...

Eram 8h da manhã....E estavámos chegando em casa com 7 latinhas de cerveja...

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

João e a Mão

A tarde estava ensolarada...
João tocou a campainha!
Ela veio atender
Toda iluminada pelo Sol!

João estendeu a mão:
Mas a mão dela estava áspera!
João inclinou-se para beijar-lhe o rosto
Mas seu rosto estava frio!

"João e a Mão???
Eta! Eta! Eta!
Pensei que ia escrever besteira..hehe"

sexta-feira, janeiro 28, 2011

O retorno de João!

Era sexta-feira a noite. Eu estava na faculdade, assistindo a aula mais tediosa que se pudesse ter numa sexta-feira a noite. Meu telefone tocou. Sai pra fora da sala:

-Onde você tá?
-Tô na aula. Por que?
-Ia te chamar pra tomar uma cerveja comigo.
-Hum...
-Você vem?
-Você tá aonde?
-No barzinho de sempre...
-Hum..Tá bom...tô indo!
-Ok!
-Beijo!
-Beijo!
-Não demora, tá?
-Tá! Tchau!

Cheguei logo, como prometido! Ela lá, sozinha  na mesa com a cerveja do lado e o cigarro na boca. "-Que figura excêntrica"..pensei!

-Que demora..
-Demora???
-Tá! Pega um copo!
-Já peguei!
-Cigarro?
-Não..brigado!

Daí, um silêncio que durou exatamente dois copos!

-Por que você foge de mim?
-Não fujo...
-Então me dá um beijo!!!!

quinta-feira, outubro 07, 2010

João e a carta!

João acabara de sair da faculdade. Poderia ir embora, mas resolveu tomar sua cerveja no costumeiro buteco. Sozinho e sóbrio, não se animou a chamar alguém. Estigma esse que parece lhe acompanhar. Contudo, não amaldiçoa sua sina. Pelo  contrário, a celebra! E, como um devoto que aceita sua missão, João toma sua cerveja...sozinho!

O clima está agradável! Da sua mochila pega um caderno com as bordas manchadas de café. Arranca uma folha e pensa em escrever algo. Mas o quê? Amor? Não, João não é desses que acredita na pureza desse sentimento, como os românticos costumam poetizar. Amor é interesse mútuo de duas almas solitárias que resolvem brincar juntas, pelo menos por um tempo.

Amor...amor...não vinha outra palavra na cabeça de João. E agora?? João já estava na segunda cerveja e precisava fazer algo para tornar aquele momento solitário mais ameno..."-Vou escrever sobre o amor!"

Inundado pelo sentimentalismo etílico de um bêbado comum, misturando frases de música que jovens gostam de ouvir, criando situações que gostaria de viver, tentando expressar sentimentos que nem acredita que existam, João começo a rabiscar....

Pegou outa cerveja e já com olhares curiosos dos outros bêbados do ambiente, empolgou-se a rabiscar...e rabiscou...

No outro dia, ao acordar, duas folhas amassadas, molhadas (de cerveja, provavelmente) estão na mesa de seu quarto...

João não acreditou que escrevera tudo aquilo... 

sexta-feira, outubro 01, 2010

João no final de expediente

João olha o relógio: 16h26m...30 minutos para acabar o expediente.
Como será que tá o seu buteco?
Muita gente? Pouca gente? Universitários ou os bebinhos de sempre?
Perguntas aterrorizantes, ansiando respostas!
João liga pra um amigo:
"-E ai? Rola uma cerveja agora?"
"-Opa! Demorô!"

E João some na sua moto...

quarta-feira, setembro 29, 2010

João da Silva Santos


Segunda-feira de um dia qualquer de 2010,  vinte e duas horas...

Chove!

João caminha na rua escura.  Toma a direção do buteco onde costuma frequentar. Nele, apenas o dono e mais um senhor, que esta sempre por ali. O cumprimenta com a mão a cheiro de cigarro barato. Pede sua cerveja. Se esconde do frio e procura um lugar entre as mesas de sinuca. João toma o seu primeiro gole. Chega um jovem e pede uma dose de pinga raizada. O jovem senta no balcão e vira-se para a TV, que exibe os gols de um campeonato qualquer. João não se interessa. Toma seu terceiro copo. Um vira-lata moribundo senta sob sua cadeira. João joga um gole de cerveja no chão. O vira-lata moribundo não se anima. João não se irrita com a negligência do canino. Vontade de fumar. Se levanta e pede um cigarro ao senhor que esta no balcão. O cachorro moribundo não parece companhia agradável. João volta a se sentar.

Vontade de conversar!

João pega seu celular. Consulta seu saldo e vê que ainda tem 7 reais para gastar. Começa com a letra A. 1ª tentativa: "-Estou com minha filha! Se não eu iria!". 2ª desculpa: "-Minha mãe chegou de viagem!". 3ª: "-Estou a pé e longe daí...". "-Minha namorada vai embaçar!". "-Hoje não posso, vamos tomar quinta?" Não!!! João quer companhia agora!

Continua chovendo!

João levanta e pega a 2ª garrafa! O jovem que toma a raizada lhe oferece um gole. João aceita. O cigarro acaba. A chuva aumenta. João, o senhor e o jovem falam sobre a chuva. O jornal televisivo anuncia tempestades em regiões distantes. João compra um cigarro solto e volta para o seu lugar. Liga para um amigo distante. Quer divagar sobre o que pensavam no ano de 2004 e como a vida esta em 2010. Ninguém atende do outro lado. Os próximos instantes são estáticos. Nada acontece.

3ª garrafa.

O frio some. Segurando seu copo, João fica em pé na porta da frente. Alguém que passa de bicicleta lhe cumprimenta. O jovem da raizada lhe dá um tapa nas costas: "-Adeus, companheiro!" Adeus! João lembra de Deus.    "-Esquece, Deus está sóbrio, não vai divagar!". Um carro com universitários estaciona. Eufóricos, compram cigarros e cervejas. Eles ouvem alguma música que fala de "meteoro da paixão"! João queria blues! O senhor também vai embora e ironiza: "-Não vai durmir na rua, João!" A dona do buteco recolhe as mesas. João vira o último copo.

Acaba a cerveja.

João vai embora debaixo da chuva.